terça-feira, dezembro 7, 2021
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Veículos comerciais: interrupção forçada

Por conta do isolamento social adotado no Brasil e no mundo, veículos comerciais têm produção suspensa nas fábricas.

A maioria das montadoras de veículos comerciais, caminhões, chassis para ônibus e vans, além de fabricantes de carrocerias de ônibus e implementos rodoviários, decidiu interromper atividades como forma de prevenção à covid-19. Excetuando-se a Scania que concedeu férias coletivas, em São Bernardo do Campo, SP, de 23 de março até 13 de abril, as demais adotarão medidas a partir da próxima semana.

A unidade comercial da montadora sueca permanece com as funções primárias à distância, com o objetivo de reforçar a parceria e apoiar os clientes neste momento. As atividades de vendas de soluções e faturamento seguem em trabalho remoto e regime de plantão. O abastecimento de peças de reposição para rede e clientes continua regular e como atividade prioritária para garantir disponibilidade dos veículos.

As concessionárias e suas oficinas permanecem em funcionamento, com exceção daquelas localizadas em estados em que há orientação de encerramento das atividades pelo poder público. As casas que continuam em atendimento, garante a montadora, estão adotando rígidos protocolos de higiene e limitações no contato pessoal.

Veículos comerciais: como fica o funcionamento nas grandes montadoras

veículos comerciais

A Mercedes-Benz anuncia férias coletivas entre 30 de março e 19 de abril, além de folgas debitadas em banco de horas nos dias 25, 26 e 27 de março e 20 de abril. Serviços essenciais serão mantidos, com todos os cuidados necessários a fim de atender os clientes que possuem veículos em circulação. A retomada está programada para 22 de abril, com a possibilidade de mudança, dependendo da situação do país. As medidas foram negociadas com sindicatos em todas as suas unidades no Brasil.

A Volvo segue na mesma direção. A contar de 30 de março, por quatro semanas, seus 3,7 mil funcionários da planta de Curitiba, PR, estarão em férias coletivas. Segundo comunicado da empresa, já vinham sendo realizadas ações para diminuir o impacto da crise do coronavírus, como o home office para os funcionários que poderiam trabalhar remotamente em casa. Já a rede de 100 concessionárias segue em operação.

Mesmo nas cidades onde há restrição de circulação, serviços em veículos que transportam alimentos, medicamentos, perecíveis, combustíveis e outros casos especiais estão sendo autorizados pelas autoridades, em regime de exceção. “Nesse momento de consternação mundial, o transporte de bens essenciais, como alimentos, remédios e combustíveis, não pode parar”, afirma Alcides Cavalcanti, diretor comercial de caminhões da Volvo.

As áreas administrativas estão operando de forma alternativa, com home office para quem pode trabalhar remotamente em casa e outras medidas de distanciamento social. “Em cada estado e cidade temos uma realidade diferente. Mas a Rede Volvo está seguindo todas as orientações das autoridades epidemiológicas em cada localidade, com objetivo de proteger a segurança e a saúde dos funcionários, sem prejuízo ao atendimento essencial aos motoristas”, acrescenta Rodrigo Padilha, diretor de desenvolvimento de concessionárias Volvo.

Desde o dia 19 de março, a Volkswagen Caminhões e Ônibus não opera mais com horas extras e cancelou o expediente aos sábados em Resende, RJ. A partir de 30 de março, 4,5 mil funcionários entram em férias coletivas e o setor administrativo opera em regime de home office. A retorno está programado para 20 de abril. A planta da DAF, em Ponta Grossa, PR, segue normalmente.

Na linha de vans, a Fiat Chrysler Automóveis anunciou redução gradual da paralisação desde 24 de março, com paralisação total prevista para 30 de março. As atividades fabris estão programadas para retorno em 21 de abril. A Renault do Brasil suspendeu a produção no Complexo Ayrton Senna, em São José dos Pinhais, de 23 de março, e só deve retornar em 14 de abril. A fábrica da PSA Peugeot Citröen, em Porto Real, RJ, ficará parada de 23 de março a 21 de abril.

Algumas implementadoras seguem com produção

Dentre as principais fabricantes de implementos rodoviários, Randon e Librelato interromperam a produção. Os 8,5 mil trabalhadores das unidades das Empresas Randon, em Caxias do Sul, incluindo as de autopeças, estão em férias coletivas por 20 dias, desde a segunda, 23. Nas demais unidades da empresa, situadas em outras regiões, as definições poderão variar conforme a situação local.

A Librelato interrompeu, na segunda, 23, a produção em todas as suas unidades industriais no estado de Santa Catarina. A medida foi iniciada com banco de horas nos dias 23 e 24, estendendo-se com o período de férias coletivas entre os dias 25 de março a 12 de abril, podendo, caso necessário, haver prorrogação. Alguns departamentos administrativos da empresa seguem mantendo, em sistema home office, contatos com clientes e fornecedores pelos canais de relacionamento como e-mail, telefones, WhatsApp e mídias sociais. A empresa garante estar tomando as medidas necessárias para que os clientes sejam minimamente afetados com novos prazos de entrega.

Outras grandes marcas, no entanto, seguem com operações normais. São os casos da Truckvan, em São Paulo; Fachini, em Votuporanga, SP; e Noma, em Maringá, PR. A Niju, com sede em Chapecó, SC, reduziu sua produção a 25%, e não tem recebido visitantes, nem está entregando equipamentos.

No segmento de carrocerias de ônibus, a maioria das empresas interrompeu as atividades. A Marcopolo concedeu férias coletivas para cerca de 10 mil trabalhadores das unidades de Caxias do Sul, RS, incluindo as marcas Volare e Neobus; Duque de Caxias, RJ; e São Mateus, ES.

A Caio Induscar começou a paralisação na fábrica de Botucatu, SP, na terça, 24, devendo retornar na segunda, 27. Também adiantou os feriados de 21 de abril, 1º de maio, 9 de julho e 7 de setembro. Os setores administrativos trabalharão em regime de home office. A Busscar, também do grupo, suspendeu a produção por uma semana, a partir do dia 23. Dependendo das condições, a medida pode ser ampliada para os 1,2 mil funcionários de Joinville, SC. A Comil, de Erechim, interrompeu a produção de veículos comerciais na terça, 24, com retorno programado para dentro de 10 dias.

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