terça-feira, dezembro 7, 2021
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Um caminho de expansão e inovações

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A logística é um braço da economia e prestação de serviços que cresce a cada ano. O fator principal para tal evolução, pelo menos durante a última década, foi certamente um reflexo da expansão do e-commerce.

Por Juliana Santana

Para entender melhor a ascensão do comércio eletrônico no Brasil basta olhar alguns números. Dados divulgados pela Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm) mostram que para 2019 está previsto um volume de vendas de R$ 79,9 bilhões, crescimento de 16% em relação a 2018. Os números positivos despertaram o interesse das transportadoras em fazer parte dessa fatia de mercado.

Mas para ingressar neste segmento, as empresas se viram obrigadas a investir em tecnologias que contribuíram não só para uma entrega mais eficiente, mas também para uma operação mais inovadora, que além de facilitar o trabalho, agrega cada vez um número maior de empregos, o que é um benefício grande para a economia de um País que tem como um dos principais problemas atuais o desemprego. Lembrando que essas inovações e benefícios conseguiram ser aplicados não só em transportadoras mais novas e digitais, mas também nas mais tradicionais, que trabalham há anos em tal mercado.

A Braspress, transportadora brasileira que possui cem unidades no País, e que trabalha com segmentos variados, pode ser citada como um exemplo quando se fala em investimentos para novas tecnologias em empresas mais tradicionais. A organização acredita nessa evolução tecnológica como uma forma estratégica para um crescimento constante e sustentável da organização.

Luiz Carlos Lopes – Diretor de Operações da Braspress, uma das principais transportadoras do Brasil, e que também passou por inovações

Segundo Luiz Carlos Lopes, diretor de operações da Braspress, a empresa espalha seu orçamento desde a evolução de esteiras dinâmicas de aferição e equipamentos vocacionados ao controle e traqueamento dos volumes movimentados, até aplicativos para controle “on time” das entregas e coletas. “Dando dimensão aos valores investidos em tecnologias aplicadas em nossas operações, é interessante citar que somente nas plantas do terminal de São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba, investimos nos últimos 10 anos cerca de R$ 150 milhões na aquisição e manutenção dos equipamentos de sorteamento automático de classificação das encomendas”, explicou.

Hoje a empresa consegue processar 200 mil pacotes por dia, estando preparada e capacitada para 2,5 vezes mais, de acordo com Lopes.

Já outras empresas, diferentemente da Braspress, concentram muito do seu serviço no trabalho terceirizado, algo que há dez anos não era uma realidade tão palpável. A Reforma Trabalhista aprovada no ano passado fez com que o crescimento desse tipo de serviço aumentasse consideravelmente nas transportadoras. Cidades de mais difícil acesso, geralmente, são colocadas em rotas de logística por meio de transportadoras menores, que prestam serviços regionais para as maiores.

O processo logístico já passou por muitas mudanças nessa última década

Outro ambiente em que esse tipo de prestação de serviço terceirizado é prioridade e passa por inovação é no espaço das novas transportadoras digitais. Na maioria delas, por meio de um aplicativo de celular, é possível contratar motoristas autônomos ou pequenas empresas para a realização de todo o tipo de entrega. Um estilo de serviço que nem era imaginado por trabalhadores de uma logística passada, hoje obriga diversas empresas a mudarem seu tipo de operação.

Ainda, é importante que seja ressaltado que o mundo logístico não é apenas voltado para o transporte terrestre. Empresas como a Pront Cargo, por exemplo, que trabalha com transportes multimodais, precisaram se encaixar as novidades. Mas especificamente no setor aéreo, o exercício de relacionamento no aeroporto se mantém essencial.

Iltenir Junior – Diretor executivo na Pront Cargo, empresa que trabalha com transportes modais

Para Iltenir Junior, diretor executivo da Pront, o desafio logístico da empresa é completamente diferente das transportadoras apenas terrestres, visto que todas as organizações continuam usando as mesmas companhias aéreas para o deslocamento. “A concorrência vem de que parte então? É na gestão, na informação, e no poder comercial junto as companhias aéreas para você ter uma tarifa mais atrativa. Além disso, vem também a questão operacional do negócio. Não adianta você ter um ótimo acordo e contrato com o diretor da companhia aérea de cargas se quem faz acontecer no negócio é o operacional lá no aeroporto”.

Iltenir reforça que é fundamental, nesse braço do mercado logístico, que os sistemas utilizados pelo operacional localizado do aeroporto sejam de ponta. “Há dez anos eu precisava que meu funcionário ficasse correndo pelo espaço, atento as possibilidades e depois me mandar por fax as informações. Hoje, com os aplicativos de comunicação eu consigo falar com o trabalhador e ele não fica nessa correria tão intensa”, disse o diretor.

Nesse meio, nem todas as notícias são boas. Algo que certamente não mudou, ainda que tenha passado por uma melhora mínima, é o estado das estradas brasileiras. A infraestrutura do País continua precária e é uma pedra no sapato de toda parte operacional de transportadoras. Ainda que promessas sejam feitas, a maioria dos governos não conseguiu entregar as evoluções prometidas.

Essa dificuldade resulta em gastos realmente consideráveis. Afinal, a cada volta que precisa ser dada por conta de uma estrada em mau estado, é mais diesel; cada pneu estragado por conta de buracos e mais um orçamento de manutenção. Sem contar a falta de espaços para o descanso dos motoristas, o que obviamente tem como conclusão um maior número de acidentes.

Uma mudança que também não agrada o setor é o aumento do roubo de cargas. Hoje, empresas do ramo se sentem obrigadas a gastar boa parte de seu orçamento em sistemas de monitoramento de carga, escoltas, sistemas que previnem e protegem os produtos transportados. Ou seja, gastos que não agradam tanto o empresário do setor, mas que de certa forma desenvolvem uma tecnologia bem precisa para a segurança.

O fato é de que toda a inovação atual permitiu com que empresas de transporte tradicionais conseguissem, ainda que com percalços no meio do caminho, otimizar o tempo de entrega, ter mais controle das cargas e acompanhar o desempenho do motorista, sendo ele terceirizado ou não. Nunca que há dez anos tantas inovações e evoluções seriam pensadas. “Assim vivemos o Brasil: acreditando em nossas próprias competências, reinventando-nos a cada dia, capazes de produzir efeitos quando praticados através da livre iniciativa gerada pelo mercado e seus atores”, desabafou Luiz Carlos Lopes.

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