terça-feira, dezembro 7, 2021
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O ConectarAGRO é uma iniciativa de empresas do setor privado, que busca levar internet para fazendas de todo o Brasil

O Agronegócio é um dos pilares mais importantes para a economia do Brasil. Tanto que em 2018, o setor ficou responsável por 21,1% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. Logo, não é difícil imaginar que a exportação e importação de produtos vindos desse segmento geram renda para milhares de famílias do País, que estão ligadas diretamente ou indire­tamente a todas as transações.

No entanto, dentro de toda essa relevância econômica e estrutural, o agronegócio sofre com divergências no setor tecnológico, acarretados principalmente pela falta de conectividade. Isso pode ser comprovado com o último dado divulgado pela TCI Domicílios – pesquisa que mede a infraestrutura de Tecnologias de Informação e Comunicação nos ambientes urbanos e rurais do Brasil – que mostra que mais de um terço da população do país (39%) ainda não possuí acesso à internet.

É claro que boa parte dessa porcentagem vem de áreas rurais, que na maioria das vezes não possui nem mesmo acesso a linhas telefônicas, quem dirá à internet. Todo esse atraso prejudica a evolução da produção, e deixa o setor logístico estagnado, visto que a categoria atualmente conta com veículos e máquinas que trabalham com tecnologia embarcada, GPS de alta precisão, Big Data, entre outros sistemas que otimizam viagens e serviços. Sendo assim, o mercado disponibiliza máquinas superdesenvolvidas, processos inovadores, mas nenhuma conectividade para um possível trabalho.

É nesse cenário que uma iniciativa ambiciosa e inovadora foi desenvolvida. O ConectarAGRO é um projeto elaborado por oito empresas de diferentes segmentos – CNH Industrial, AGCO, Climate FieldView, Jacto, Nokia, Solinftec, TIM e Trimble – que busca ampliar a conectividade em lavouras. Ou seja, levar internet, com suas diversas funções possíveis, para os ambientes rurais brasileiros.

O 4G de 700 MHz foi a tecnologia escolhida para as instalações. O grande alcance e capacidade foram características fundamentais para a preferência, mas seu principal benefício é a simplicidade. “Estávamos focados na tecnologia que melhor atendia essa necessidade de ser aberta, acessível e simples de operar. Afinal, o agricultor tem como foco o plantar e colher. Ele pensa em produzir. Logo, não pode ficar pensando em manutenção da rede”, afirmou Gregory Riordan, diretor de tecnologias digitais da CNH Industrial para a América do Sul.

Gregory Riordan, diretor de tecnologias digitais da CNH Industrial para a América do Sul

A versatilidade do 4G também deve ser destacada, visto que a internet é operável tanto dentro de máquinas, caminhões e sistemas de otimização de produção, assim como no celular dos trabalhadores rurais, que poderão utilizar redes sociais e aplicativos para comunicação durante o serviço, ou por motivações pessoais.

A principal vantagem para as empresas que participam da iniciativa é, obviamente, o fato de locais não conectados poderem agora usufruir das diferentes possibilidades tecnológicas disponíveis no mercado. Porém, para Riordan, o grande destaque vai para o benefício do trabalhador e do dono do espaço. O diretor explicou que toda fazenda atualmente necessita de comunicação e organização precisas durante a produção: “Eu tenho que saber o que está acontecendo na colheitadeira, eu preciso saber o que está acontecendo no armazém, o tempo de transporte, que horas o caminhão chega. Tudo isso é fundamental para um lucro certo em um espaço tão disputado economicamente”, disse.

O diretor não deixou de destacar a função social da instalação, que permite que trabalhadores que estão longe de suas famílias possam se comunicar com todos, ainda que em ambientes isolados de áreas urbanas.

Toda a instalação dos sistemas para sinal em fazendas e lavouras é responsabilidade de uma das parceiras do ConectarAGRO, a TIM. O produtor, vendo a necessidade de inovação e conectividade, entrará em contato com a empresa, que deslocará especialistas ao ambiente rural. Estes farão uma análise de que tipo de estrutura e projeto deverá ser instalado no local. Ou seja, cada estruturação será personalizada. Depois disso, uma proposta é apresentada ao produtor.

Segundo afirma Riordan, o público mais interessado no projeto são grandes produtores, mas o diretor reitera que o objetivo do ConectarAGRO é a expansão da tecnologia em todas as lavouras brasileiras, possibilitando a otimização dos serviços e a qualidade de vida dos pequenos produtores, que também são um grupo importante para o setor logístico do País.

Como cada instalação apresentará características e necessidades diferentes, o custo do trabalho também seguirá uma linha personalizada. Na realidade, os responsáveis pela iniciativa gostam de reforçar que o produtor apenas contribuirá com o custo de infraestrutura. “Então, por exemplo, se as vezes o produtor está próximo de uma região que tem um povoado, ou tenha outros usuários para essa tecnologia, ele vai ter um benefício, já que todos podem contribuir, deixando a instalação bem mais econômica”, lembrou o diretor da CNH Industrial.

Quase todas as máquinas agrícolas já são projetadas com o pensamento na conectividade

A TIM estima, com base em situações onde já foram feitas instalações, sempre levando em conta os níveis de ondulações, local e outras características, que o custo da infraestrutura varia ente ¼ a ½ saco de soja por hectare. Um investimento relativamente baixo, frente as possibilidades de benefícios trazidos, visto que em média (sempre dependendo do clima e outros fatores do ambiente), um produtor tira de 50 a 70 sacas de soja por hectare.

O ConectarAGRO é uma ideia genuinamente brasileira, visto que a situação de conectividade nas fazendas do País é bem característica, e não pode ser comparada a lavouras nos EUA, ou locais da Europa. Assim, foram necessárias projeções e ideais originais, para que essa questão de atraso possa ser pelo menos minimizada.

Gregory Riordan acredita que a escolha do 4G 700 MHz foi assertiva também para benefícios a longo prazo, visto que é um dos formatos mais modernos, e que poderá ser útil durante muitos anos. Mas, não nega a possibilidade de todo o projeto passar por reformulações à longo prazo, para atender a necessidade do brasileiro que mora e trabalha em áreas rurais. “Nossa ideia não é estagnação. As fazendas brasileiras já sofrem com o atraso. O objetivo da ConectarAGRO é evoluir e trazer ao trabalhador rural, assim como todos os envolvidos com a agronomia, uma maior possibilidade de otimização dos serviços e vida”, finalizou o diretor.

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